António Miguel Cardoso: "A perspectiva para que o Vitória continue a ser independente é que a visão seja muito mais empresarial e muito menos social na gestão"

O presidente vitoriano lembrou o processo que conduziu à entrada daquele grupo, detentor do Aston Villa, garantiu que “neste momento, as relações são estáveis”, mas, ao mesmo tempo, deixou a certeza de que pretende que o clube mantenha a sua independência: “Há algo que tenho de dizer e é verdade: estes grupos que estão habituados a gerir clubes de futebol querem controlar, veem as coisas dessa forma, muito mercantilista, e querem controlar. É um negócio, é uma empresa. Nunca lutarei para que isso aconteça, só aí já divergimos em alguma coisa.”
António Miguel Cardoso mantém a convicção de que o Vitória deve manter a independência da sua gestão. No entanto, alertou para a necessidade de serem promovidas algumas mudanças: “Este risco que vivo, que está sobre mim, é unicamente a pensar na independência do Vitória. Eu acho que isto ninguém entende. Estou a lutar por aquilo que eu acho que é a independência do Vitória todos os dias. Continuando, percebemos que o mais importante são os jogadores, são os ativos, mas além disso a perspectiva para que o Vitória continue a ser independente é que a visão seja muito mais empresarial e muito menos social na gestão do Vitória por parte de uma Direção. É isso que faço todos os dias."
O presidente do Vitória recordou um processo em que “quando entramos no Vitória havia, além dos problemas financeiros que tínhamos, um acordo em que o Vitória teria que pagar ao anterior investidor, o Mário Ferreira, quase 5 milhões de euros. Caso não pagasse esse valor, feito pela anterior Administração, as ações poderiam reverter para o Mário Ferreira e ele ficaria com a maioria. A verdade é que nós mal entramos, e além dos problemas que já tínhamos com a conta a zero - sinceramente olhando para trás, nem sei como é que nós fomos pagando os salários, não sei como é que nós fomos resolvendo as coisas, mas conseguimos, e com sucesso desportivo -, havia uma pressão normal por parte do Mário Ferreira para receber o valor. Nós já nem conseguiríamos sequer pagar aquilo que nós tínhamos que pagar no dia a dia, ainda tínhamos que pagar 5 milhões ao Mário Ferreira. Aparece a VSports, e para mim, o mais importante naquele momento era, está aqui alguém que vai entrar, com capital minoritário, que tem credibilidade e que nos vai ajudar naquele problema. Para mim, era muito importante, porque caso contrário até poderíamos ficar sem o controlo do Vitória.”
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